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Continuo recebendo diversos comentários sobre o artigo que falava das principais regatas oceânicas. Mas hoje vou falar de coisa séria. Não vou falar sobre a Volvo Ocean Race. Vou falar de uma regata com 120 mil inscritos e que vai largar para a sua terceira perna hoje. É a Volvo Ocean Race Virtual http://www.volvooceanrace.com/en/game.html. Saiba o que é, e veja algumas dicas!

Isto não é brincadeira. Este ano, a World Sailing criou o campeonato mundial de e-sailing. O assunto foi tema de apresentação na sua reunião anual. Em breve, é possível que o vídeo-game entre para as Olimpiadas. A Intel é um dos novos patrocinadores do Comitê Olímpico Internacional. Já existem programas de TV especializados em transmissão de jogos, sem falar nos milhares de canais do youtube sobre o tema. Alguns jogadores de vídeo games, hoje, ganham mais que jogador de futebol. Voltando para o nosso esporte, Ian Linpiski, vencedor este ano da Mini Transat, chegou em 3375º na Vendeglobo virtual 2016-2017. Aqui no Brasil, a tripulação do Arriverdeci,  sétimo-lugar no disputadíssimo mundial de J/70, é famosa por treinar match race no joguinho Virtual Skipeer. Como todo jovem da minha geração, era amadora, brinquei com estes joguinhos também. Uma perna quebrada recentemente, me deu tempo para me aventurar na primeira e segundas pernas da Volvo Ocean Race Virtual. Na primeira perna fui sem nenhuma pretensão, mas depois de encalhar no Estreito de Gilbratar, passei diversos barcos em seguida, passando pelo meio de uma alta pressão e resolvi levar um pouco mais a sério para a segunda perna. Em termos de navegação, tudo é bem semelhante a uma regata normal. Usei inclusive um programa de otimização de rota (Expedition ou Adrena). Os modelos meteorológicos estão disponíveis gratuitamente na web e basicamente só usei o GFS com resolução de 112km. Ele é atualizado quatro vezes ao dia (0hs, 6hs, 12hs e 18hs UTC). Utilizei a curva polar do próprio Volvo 65, mas acho que tem algumas diferenças no jogo. Eu não consegui descobrir que modelos eles usam, nem a frequência de alteração do vento. Tudo é bem parecido com o mundo real, mas descobri algumas simplificações importantes:

• O jogo não tem influência de ondas, corrente ou sombra da ilha. Pode passar coladinho a sotavento das ilhas.

• O vento nunca vai a zero. Quando eu passei no meio da alta pressão na primeira perna, 4.7 nós foi o mínimo que peguei. Era para ser próximo de zero, isto fez valer a pena “cortar o caminho” pelo meio da alta pressão.

• Não há perda tempo com troca de velas. Use sempre o “pro winches”. Na verdade, compre sempre todas as opções oferecidas para melhorar o barco.

• Não considera a ortodromia. Isso poderá ser notado bem nesta terceira perna nos mares do Sul.

É importante também seguir as regras. Cada velejador só pode inscrever um barco. Você só pode velejar neste barco e outra pessoa não pode veleja-lo. Uso de robôs (bots) são proibidos. Houve um grande escândalo em uma regata anterior, quando o prêmio para o vencedor era um carro da Volvo, e tinha uma verdadeira equipe de hacker velejando o barco vencedor.

Análise tática da passagem pelos Doldruns
Análise tática da passagem pelos Doldruns

 

Para jogar é bem simples.  Na figura acima, o traço cinza mostra minha rota na segunda perna. No início, fui tudo para o Oeste, quando dei o jibe estava na posição 50 mil. Depois tudo para o Sul. Você pode travar um TWA (ângulo com o vento verdadeiro) ou um rumo da bússola. O jogo mostra seu rumo projetado com base na previsão meteorológica. Ainda é possível colocar vários waypoints (muito útil para montar marcas ou navegando perto de terra).  A ferramenta mais poderosa é a programação de rumo. É possível dizer para, numa determinada hora, o barco assumir um rumo ou TWA. Isto pode ser um pouco arriscado quando se esta perto de terra, porque você nunca vai saber onde estará exatamente numa hora no futuro. Existe um alarme avisa se você encalhou ou se está com a vela errada. Mas não avisa se você estiver velejando com o VMG errado num contravento ou popa.

Na verdade, eu mesmo programei alguns alarmes no meu celular em horas que eu previa que seria necessário fazer alguma alteração de rota. Na perna dois, eu fazia a navegação uma vez ao dia pela manhã com verificações ocasionais durante o dia pelo celular. Nos dias perto de um jibe ou alteração significativa de rumo confesso que gastei mais tempo analisando as opções. O resultado foi um 290th lugar. Quatro horas atrás do primeiro e 2 horas atrás do segundo lugar geral. Não sei se vou encarar a terceira perna que irá largar em alguns minutos...

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