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Neste domingo largou a Volvo Ocean Race (VOR) para sua segunda perna. Nossa atenção retorna para a vela de oceano devido toda a publicidade em torno da regata e a participação da Martine. Mas seria esta a melhor regata para participar ou acompanhar? Muita coisa está acontecendo pelo mundo. Só neste momento, temos a Mini Transat e a Transat Jaques Vabres. Com certeza a VOR deste ano atraiu a elite da vela. Mas onde estariam os melhores barcos? Como andam as regatas oceânicas no nosso território?

Vamos começar com a Minitransat http://www.minitransat.fr/en. Esta regata mostra que não há desculpa para entrar numa regata oceânica. São pequenos barcos de 21 pés que navegam em solitário. A regata largou em La Rochele no dia primeiro de outubro parando nas Grand Canarias e chegará no Caribe (Le Marine Bay).  A categoria protótipo tem a regra bem livre. O barco pode ter 6.5 metros de comprimento por 3 de largura. Calado de 2 metros e altura do mastro de 12 metros. Há diversas regras de segurança. O material das velas deve ser de poliéster ou nylon. Jovens projetistas franceses projetam, constroem e correm com seus próprios barcos na classe protótipo.

Classe Mini - Protótipo
Classe Mini - Protótipo

Existe também a categoria de barcos de série, onde os barcos são iguais e mais baratos. É uma categoria de mais fácil acesso. Com 30 mil euros é possível encontrar um Pogo (barco de série) para vender após a chegada da regata. (Classificados: https://www.classemini.com/?titre=&mode=petites-annonces&fiche=85). Os brasileiros Gustavo Pacheco, Khan Chuh e Izabel Pimentel já correram a regata. Muito pouco se comparado com os 693 velejadores que já correram desde 1997.

Mas o maior desafio solitário é a Vendee Globe. Ela acontece a cada quatro anos e a próxima largada será em novembro de 2020. A primeira edição da regata ocorreu em 1989. Comparando com a VOR são três diferenças marcantes: solitária, sem paradas e com barcos da classe IMOCA 60. A regra destes barcos é muito aberta, deixando eles bem mais radicais. Recentemente a classe padronizou as quilhas e os mastros para aumentar a segurança. Não é fácil encontrar um bom barco de segunda mão a venda. Na edição 2016-2017 nada menos que 29 destas máquinas de regata participaram.

IMOCA 60
IMOCA 60

A VOR já admitiu que terá que migrar para um barco melhor para a próxima edição. A intenção é fazer um barco one-desing, mas compatível com a regra IMOCA 60 de forma a aumentar o valor de revenda dos barcos após a regata. Mas a classe IMOCA 60 não deu muita bola. Volvo Ocean Race undergoes a radical shake-up for 2019 edition.  A Vendee Globe  https://www.vendeeglobe.org/en/ é inspirada na lendária regata organizada pelo jornal Sunday Times em 1968. Ano que vem será realizada Golden Gloge Race http://goldengloberace.com/ para lembrar a façanha de Bernard Moitessier. Serão 30 barcos, todos réplicas do seu barco Joshua. O Brasileiro Gustavo Pacheco (http://voltaomundo.com/) está entre os cotados para participar da regata.

Ainda nas regatas solitárias, outro destaque foi a BOC Chalenge (que passou a se chamar Velux 5 Ocean race). A primeira edição foi em 1982. Antes da Vendee Globe, era sem dúvida o maior desafio solitário. A principal diferença é que esta regata tem paradas. Também utilizou barcos da classe IMOCA 60. Eu era criança, mas ainda me lembro quando estas naves chegaram no Rio de Janeiro na ediçao 1986-1987. O Eduardo Louro ainda tentou correr com o antigo Carro Chefe, um One-Tonner adaptado para regatas oceânicas. Ele quebrou o leme logo na primeira perna, mas retornou velejando sem leme 1200 milhas de volta a Newport. Um feito notável. http://www.popa.com.br/docs/livros/historiasdenavegador.html

Entretanto, os barcos oceânicos mais rápidos do planeta estão na Transat Jaques Vabre https://www.transatjacquesvabre.org/br . São os barcos da classe Ultime,  com barcos de 32 metros (105 pés) com três destes monstros participando: Actual, Banque Populaire (Gitana) e Sodebo. 

Class Ultimate
Class Ultimate

A Transat Jaques Vabre também oferece uma classe de mais fácil acesso e muito competitiva. A classe 40 tem barcos de quilha fixa e nada de carbono. Na edição passada Reanto Araújo e Edu Penido ficaram em sexto. (https://www.youtube.com/watch?v=T9aLpUIssv0

Neste ano, José Guilherme Caldas e Leonardo Chicourel Snipista da fortíssima flotilha baiana estão no único barco Brasileiro na regata. (Veja a entrevista do Flavio Perez com os dois antes da largadahttps://www.youtube.com/watch?v=2EHaGUKgViY). Ainda temos a classe Multi 50 com 6 super Trimarans além dabalada classe IMOCA 60 usada na Veende Globe. 
Classe Multi 50
Classe Multi 50

Ainda acha que não dá para correr uma regata oceânica? Está sendo disputada também a Clipper Around de World. A primeira edição foi em 1995 e é uma regata exclusiva para amadores. Qualquer um pode comprar uma vaga a um custo aproximado de 50 mil libras para uma volta ao mundo ou em torno de 6 mil libras para ir numa das pernas e velejar sob a supervisão de profissionais. A regata não é brincadeira. Um dos barcos acabou de encalhar na costa da África do Sul https://www.clipperroundtheworld.com/news/article/race-director-provides-update-on-greenings-crew e na edição passada tivemos uma fatalidade com uma jovem velejadora.

E as nossas regatas? A maior é a Buenos Aires - Rio estabelecida em 1947, muito antes de todas as regatas mencionadas acima. Quando comecei a velejar de Optmist, Cairu, Wawatoo e Madrugada já eram lendas do passado. Só fui entender a importância desta regata numa visita ao Yacth Club Argentino. Lá numa parede podemos ver todos os barcos vencedores em um modelos meia escala com o nome do comandante e projetista. Os barcos eram projetados especificamente para vencer esta regata. O argentino German Frers se lançou internacionalmente nesta regata criando a tradição dos projetistas argentinos. A Cape Town to Rio retomou nos últimos anos e tem um nível bem razoável de barcos que medem IRC.

Mas a grande ameaça é  o fim da Santos-Rio que não deve ser disputada no ano que vem, depois de 67 edições. Apesar do crescente sucesso das regatas oceânicas no mundo, a vela de Oceano está em decadência no Brasil pela falta de definição do sistema de medição que não incentiva a construção de novos barcos. Hoje só encontramos barcos novos de cruzeiro, fabricado em série e nenhum barco de regata. Isto não é um problema só no Brasil, mas os sistemas de rating da vela de oceano estão buscando uma solução. Ano que vem, tentarão unificar o mundial de ORC e IRC. Mas o melhor seria a definição de uma classe como a Classe 40 ou até mesmo a IMOCA 60 para criar um caminho para a volta da participação efetiva do Brasil nas regatas internacionais oceânicas. Outra classe que precisa de um empurrão por aqui é a classe Minitransat. Sem dúvida uma solução viável para o nosso país. As regatas com cunho mais participativo como a Recife-Fernando de Noronha ou a Aratu-Maragogipe estão indo bem. Mas é preciso dar o passo adiante para a vela de competição.

Então? Qual é a regata que mais atrai? Qual o melhor barco. Comentem ai em baixo!

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