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O que mudou na Regra 2009-2012? Imprimir E-mail
Por Ricardo Lobato   
09 de December de 2008

ImageA CBVM acaba de publicar o novo Livro de Regra em Português. Desta vez, tivemos grandes mudanças no texto da regra de água na bóia que foi totalmente reescrita. Os velejadores não precisam ficar preocupados. Esta mudança teve como objetivo consertar alguns defeitos da antiga regra, portanto, a regra nova é mais parecida com o que o velejador comum achava que a regra funcionava. Na verdade, ela foi adaptada para refletir o jogo praticado pelos velejadores na água e sendo, portanto, mais fácil de entender. Confira este artigo com um resumo das principais mudanças! Agradicimento especial ao Dave Perry. Duvidas? Visite meu fórum na Náutica!

 

 

Preâmbulo da Parte 2.  O RIPEAM vale quando um barco que veleja pelas regras de regata encontra outro que não está. As regras 2005-2008 haviam retirado a possibilidade de um barco protestar outro que infringiu uma regra de navegação do regulamento internacional contra uma embarcação comercial ou de lazer. Na regra 2009 isto é novamente possível.

Regra 17.2. A desconhecida regra 17.2 foi extinta. Isto significa que o barco de barlavento ou o barco safo de proa não tem mais limitação de rumo correto quando esta velejando próximo a outros barcos. Esta regra era sempre infringida na aproximação de bóia. A defesa do barco da frente nesta situação é velejar mais arribado que o rumo correto de forma a garantir uma posição interna na montagem da bóia, como mostra a figura abaixo. Esta tática não era permitida pela antiga regra 17.2.

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Nova Seção C. Para se tornar mais clara, a antiga regra 18 foi dividida em duas. Uma específica para marcas (nova regra 18) e outra para obstruções (nova regra 19). A regra antiga misturava as duas situações numa só regra. Foi mantida uma específica sobre espaço para virar junto a um obstáculo (nova regra 20). As novas regras da Seção C não mais se sobrepõem as regras da Seção A ou B. Foi criada uma nova regra 18.5 que isenta um barco com direito a espaço na marca a infringir algumas regras caso não receba este espaço.

Regra 18 (Espaço na Marca)
Quando a regra se aplica: A antiga regra 18 se aplicava quando os barcos estavam prestes a contornar ou passar uma marca ou obstáculo até que tenha passado pela marca ou obstáculo. Esta definição sempre dava margem a discussão, porque, em algumas situações com barcos rápidos em ventos fortes, a regra 18 começava a valer bem antes da zona de dois comprimentos, mas os direitos poderiam ser alterados até que os barcos chegassem na área. Agora não tem mais discussão, a regra só se aplica quando pelo menos um dos barcos está dentro da área. Para facilitar, a área foi expandida para 3 comprimentos de casco. As instruções de regata podem alterar o tamanho da área para 2 ou 4 comprimentos de casco (regra 86.1 b). No match race e em regatas de equipes a área continua com dois comprimentos de casco. Todas as exceções já previstas na regra anterior se mantiveram. Entretanto, a nova regra 18.1 incluiu mais duas. A 18 não se   aplica entre um barco que se aproxima da marca e um que a está deixando para trás, nem quando a marca é um obstáculo contínuo, neste caso a regra 19 é aplicável.
Espaço na Marca. A antiga regra no preâmbulo da Seção C já tinha uma definição especifica de espaço. Esta definição foi reescrita e ganhou uma nova expressão: “espaço na marca”. Na antiga regra, era muito confuso saber quando um barco tinha somente direito a espaço, ou quando ele tinha direito de passagem. A nova regra 18 só fala em espaço da marca, deixando a definição do barco com direito de passagem para as regras básicas da Seção A. O espaço na marca agora inclui o espaço para navegar na direção da marca e não somente espaço para passá-la ou contorná-la.
Portão “Gate”. A regra 18.4 que obriga um barco a velejar seu rumo correto numa marca de jaibe, não se aplica a marcas de um portão. Portanto, um barco interior, com direito de orça pela regra 17, agora pode velejar além de seu rumo correto num portão.

Regra 19 (Espaço no Obstáculo).  Os obstáculos agora não têm uma área em torno deles. Na nova regra, basta que o barco exterior tenha condições de conceder espaço no momento em que o compromisso foi estabelecido para que o barco interior tenha direito a espaço. Mesmo que os barcos não estivessem em compromisso antes do obstáculo. Num obstáculo continuo, o barco com direito de passagem safo de popa (verde) pode estabelecer um compromisso interior com um barco safo de proa (vermelho), mesmo que não haja espaço para passar com segurança, conforme mostra a figura abaixo.

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Na nova regra, barcos com direito de passagem continuam sendo obstáculos, mas não podem ser mais considerados obstáculos contínuos. Esta mudança irá ter impacto na linha de largada. Agora, o barco azul pode estabelecer um compromisso entre o barco amarelo e verde, mesmo que neste momento não haja espaço para passar entre os dois com segurança. O barco azul deve dar inicialmente dar espaço (Regra 15) ao barco verde quando estabelecer o compromisso e, se orçar, deve dar espaço ao barco verde para se manter afastado (Regra 16). Para o azul ter direito a espaço, é preciso que no momento em que o compromisso foi estabelecido, o barco verde tenha condições de dar espaço (Regra 19.2(b)).

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Regra 20 (Espaço para Virar). É a antiga regra 19. Agora esta claro que o barco bradado é obrigado a responder cambando ou bradando “vira você”, mesmo que considere que o brado foi feito desnecessariamente. Neste caso o barco bradado terá infringindo a regra 20.3 e deve pagar uma punição de duas voltas.

Regra 23.2 (Interferindo com Outros Barcos). Foi alterada para permitir que um barco interfira com outro barco pagando uma penalidade ou velejando em outra perna desde que ele esteja velejando um rumo correto. Agora esta regra ficou igual para regatas de flotilha, regatas de equipe e match race.

Regra 28.1(c) (Navegando o Percurso). Agora inclui no seu texto a passagem entre as marcas de um portão. Não é mais preciso explicar nas Instruções de Regata.

Regra 29.1 (Chamada Individual). Esclarece que quando a regra 30.3 (bandeira preta) se aplica, a CR não precisa mostrar a bandeira de chamada individual (bandeira X).

Regra 30.2 (Bandeira Zulu). Esclarece que a penalidade de 20% é acumulativa.

Regra 32.2 (Encurtando o Percurso). Esclarece que o encurtamento de percurso deve ser feito antes de um barco cruzar a linha de chegada.

Regra 40 (Equipamento de Flutuação Pessoal).  Agora permite os competidores retirarem  o equipamento de flutuação pessoal para troca ou ajuste de equipamentos mesmo com a bandeira Y exposta.

Regra 41 (Auxilio Externo). Foi eliminado o item que permitia um barco em perigo a receber ajuda de outro barco sem ser desclassificado.

Regra 42.3(h) (Propulsão). Agora é possível que as instruções de regata, em algumas circunstâncias, permitam a propulsão usando o motor desde que o barco não ganhe vantagem significativa na regata.

Regra 44. (Punições). Agora inclui a punição de uma volta para infração a regra 31. A antiga regra 44.4(b) que falava sobre punição de um barco que já pagou uma penalidade foi transferida para a nova regra 64.1(b).

Regra 51 (Lastro Móvel). Deixa mais claro que as velas que não estão sendo utilizadas são consideradas “lastro” e devem ser armazenadas adequadamente e não podem ser movidas com a intenção de aumentar a estabilidade do barco. Está é uma prática comum na Regata Volta ao Mundo, entretanto, as instruções desta regata alteram a regra 51 para tornar isto possível.

Regra 60.2 e 60.3  (Direito de Protestar). Foi alterada para resolver uma situação quase que absurda. Esta regra não permite que um barco ou a comissão de regatas proteste outro barco por um incidente que eles não viram e ficaram sabendo apenas por um relato de uma parte interessada. Até ai é bem razoável. O inusitado é que se um velejador admitisse que infringiu uma regra, ninguém poderia protestar. A nova regra 60 permite um protesto com base num comentário incriminatório do próprio representante do barco que infringiu a regra.

Regra 62.1(a) (Reparação). Agora proíbe um barco pedir reparação de uma decisão da CP na qual o barco era parte do protesto. Existem critérios muito rígidos para uma CP reabrir um protesto, entretanto, a CP era obrigada a escutar um pedido de reparação sobre uma decisão da CP.

Regra 62.2 (Reparação). Agora exige que o pedido de reparação seja entregue na secretaria do evento da mesma forma que um protesto comum (regra 61.3, Limite de Tempo de Protesto).

Regra 63.4 (Parte Interessada). Agora exige que um membro da CP declare qualquer possibilidade de interesse pessoal.

Regra 86.1(b) (Alterações nas Regras). Permite a Instrução de Regata alterar o tamanho da área em volta da marca para dois ou quarto comprimentos de casco.
 
Regra 86.1(c) (Alterações nas Regras). Alterações das regras listadas na Regra 86.1(c) feitas pelas regras da classe deverão se referir especificamente à regra.
 
Regra 87 (Alterações da Regra da Classe). As regras da classe agora só podem ser modificadas pela instrução de regata quando a associação de classe permitir por escrito e publicado no quadro de avisos.
 
Regra 88.1 (Prescrições Nacionais). Esclarece que  as prescrições que se aplicam a um evento são as prescrições da autoridade nacional com a qual a autoridade organizadora é afiliada pela regra 89.1. Entretanto, se os barcos que estão em regata passarão por águas de mais de uma autoridade nacional, as Instruções de Regata deverão identificar todas as prescrições que serão aplicadas e quando serão aplicadas.

Apêndice P (Procedimentos Especiais para a Regra 42). Agora, quando um barco é penalizado pela Terceira vez num campeonato, ele não precisa se retirar do evetno. Sua penalidade é se retirar da regata e ser desclassificado sem poder descartar. O novo apêndice diz também que um barco não pode pedir reparação por uma ação um membro da CP atuando de acordo com a regra P1, a menos que a ação tenha sido imprópria, devido a não considerar uma sinalização da Comissão de Regata ou uma regra da classe.

 

Última Atualização ( 10 de December de 2008 )
 
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