Apresentação

BluBem vindo ao Regras.com.br. Este site dedicado a velejadores e juízes que procuram saber mais sobre as regras de regata a vela. Confira a seleção de artigos. Para saber mais sobre o site ou seu o editor veja o menu "sobre".

Bons Ventos! Ricardo Q. Lobato - "Blu"

Cursos e seminários

Critérios de Seleção da Equipe Olímpica de Vela Imprimir E-mail
Por Ricardo Lobato   
03 de October de 2008

Image
Fê e Bel
As Olimpíadas de 2008 acabaram e os velejadores já estão pensando em 2012. Chegou a hora de abordar um tema polêmico: Como selecionar a Equipe Olímpica? Após conquistar a vaga, cada país é livre para formar a sua própria equipe para os Jogos. No Brasil, tradicionalmente, a equipe é formada num evento eliminatório fechado a competidores brasileiros. Este sistema é simples, claro e, até agora, tem se mostrado eficaz comprovado pelos excelentes resultados obtidos pelo Brasil em competições Olímpicas. Contudo, o atual sistema de seleção foi severamente criticado por alguns velejadores. O principal argumento é que quatro anos de trabalho não poderiam ser julgados num só evento. Além disto, a zebra sempre ronda as seletivas... Imaginem Robert Sheidt ou o Ricardo Winick, campeões mundiais de 2007, de fora? Neste artigo irei me arriscar a pesar os pros e contra de cada sistema de seleção.

Como foi o critério de seleção em 2008
Em 2008 a seletiva foi um pouco diferente das Olimpíadas anteriores. Somente as classes já classificadas disputaram a seletiva nacional realizada em fevereiro. Este foi o caso da Star, Finn, 470 feminino, RSX masculina e feminina que garantiram a vaga no Campeonato Mundial da ISAF em Cascais. Nas classes não classificadas, o representante brasileiro seria quem conseguisse classificar o país para as Olimpíadas no campeonato mundial da classe de 2008. A idéia era incentivar vários velejadores brasileiros a tentaram a sorte nos campeonatos eliminatórios em 2008. Entretanto, somente as classes 49er com André Fonseca e Rodrigo Duarte e 470 masculino com Fábio Pillar e Samuel Albrachet conseguiram se classificar. O Brasil ficou de fora do Tornado e Laser Radial feminino, sendo que nenhuma equipe tentou a vaga na classe Yngling em 2008.
O local escolhido para a seletiva nacional foi o Rio de Janeiro. A raia foi armada fora da barra, entre a Ilha da Contuduba e Ilha do Pai. É um lugar de ventos fracos e ondas, bem parecido com Qingdao onde foi as Olimpíadas. Foram programadas 14 regatas, sendo necessárias 11 regatas para validar o evento. Os dois piores resultados foram descartados. Outra novidade deste ano foi a eliminatória da classe Laser separada das demais classes. Esta medida foi tomada pensando num eventual confronto entre Robert Sheidt e Torben Grael na Star. Assim, Robert poderia tentar a vaga no Laser em caso de insucesso na Star.


Como foi a disputa da seletiva nacional
Na 470 nenhuma outra equipe se inscreveu para enfrentar Fernanda Oliveira e Isabel Swan que estão fazendo uma belíssima campanha, incluindo um quarto lugar na pré-olimpica de 2006 e um oitavo na de 2007 e acabaram por trazer uma medalha de bronze inédita na vela feminina. Na RSX Ricardo Winicki, campeão mundial em 2007, também não teve adversário. Já na RS:X feminino tivemos a primeira surpresa. Patrícia Freitas desbancou com facilidade Patricia Castro, medalha de prata no Pan Americano e responsável pela classificação do Brasil para as Olimpíadas. Na classe Star, mesmo sem a presença de Torben Grael e Marcelo Ferreira, Robert Sheidt e Bruno Prada encontraram alguma dificuldade para vencer Lars Grael e Marcelo Jordão que estavam andando muito bem no vento fraco. Já a Finn foi a classe mais disputada com cinco velejadores diferentes vencendo regatas. Com a desistência do João Signorini, diversos velejadores tentaram a sorte na classe. Após intensa disputa e alguns protestos o vencedor foi o Laserista Eduardo Couto. Mais em termos de pára-quedistas a classe Laser foi insuperável. Diversos velejadores com menos de 65 kg se inscreveram na seletiva. O peso ideal do Laser fica em torno dos 80kg. Eles acreditavam numa semana de merreca. Nos primeiros dois dias, Alexandre Tinoco velejador da classe Snipe liderava a competição. Mas não demorou muito tempo para o favorito, o catarinense Bruno Fontes assumisse a liderança e conquistasse a vaga.


Como foi no resto do mundo.
O maior temor dos brasileiros era ter um campeão mundial eliminado. Mas na classe 470, tanto na masculina quanto na feminina, os campeões mundiais de 2008 não foram competir na China. Os ingleses Nic Asher and Elliot Willis ganharam o mundial em 2008 enquanto os seus compatriotas Nick Rogers and Joe Glanfield ficaram somente em nono. Mas Nick e Joe serão os representantes da Inglaterra nos Jogos. Lá, assim como na Nova Zelandia e Austrália, não há um campeonato seletivo para as Olimpíadas. O critério de seleção inglês é mantido em segredo. Pelo que se sabe, ele é uma mistura  de diversos critérios, podendo inclusive incluir uma eliminatória. A Austrália e Nova Zelândia também não fazem eliminatória, mas tem um rigoroso critério de seleção. Só vão as Olimpiadas os velejadores com reais chances de medalha. A Nova Zelândia, por exemplo, não irá levar representantes nem na Yngling, nem na 470 feminino, apesar destas classes estarem classificadas. Sharon Ferri e sua equipe ficaram em nono no mundial 2008 e sexto no de 2007 na classe Yngling e não obtiveram o padrão exigido para representar a Nova Zelândia.
As americanas Erin Maxwell and Isabelle Kinsolving, campeães mundia de 470, também não estarão nas Olimpiada. O sistema de eliminatória dos Estados Unidos é semelhante ao Brasileiro, ou seja, somente uma eliminatória nacional. Amanda Clark e Sarah Mergenthaler venceram esta eliminatória. Mas a grande polemica na eliminatória americana deu-se na classe RS:X feminina. A velejadora Nancy Rios ganhou dois pontos de reparação na última regata devido a um rango na vela de 20 cm feito após uma colisão com outra prancha sem direito de passagem, logo após a largada. Farrah Hall's que também foi prejudicada no mesmo incidente ficou de fora das Olimpíadas. A reabertura deste pedido de reparação foi feita 6 meses depois da eliminatória e a audiência durou 22 horas. Mais de 400 fotografias foram examinadas antes da comissão de protesto re-confirmar seu veredicto.


Prós e contras
Qual será o melhor sistema de seleção? A observação do desempenho dos atletas em diversos eventos evita os risco de possíveis surpresas de uma eliminatória. O problema é que acaba desmotivando possíveis revelações. Para evitar isto, a Inglaterra mantém três equipes: uma de alto nível, uma intermediária e uma de revelações. São feitas eliminatórias nacionais para manter uma renovação constante. Outra coisa que pode acontecer não fazendo uma eliminatória é deixar o melhor velejador acomodado. Além disto, é difícil achar uma pessoa adequada para fazer a escolha. Para este sistema ser justo, é preciso dar condições para diversos velejadores correrem os campeonatos internacionais.
Um campeonato seletivo é mais democrático e barato. Ele exige do melhor velejador preparação total para a pré-olímpico e ainda alimenta a esperança de diversos velejadores que talvez não estejam prontos ainda, mas que serão os futuros representantes brasileiros nas Olimpíadas. Fazer um campeonato seletivo retira-se a subjetividade de uma avaliação. Também tem a vantagem de selecionar o velejador com melhor preparo psicológico, aquele que agüenta a pressão de ter que mostrar tudo que sabe numa semana, assim como nas Olimpíadas. Se alguém consegue vencer o Robert ou o Bimba numa competição longa de bom nível técnico, não estaria qualificado para representar o Brasil? Será que ser sortudo, não é uma boa característica para um representante Olímpico. Outra dúvida é quando se deve fazer a seletiva. Próximo aos Jogos tem a vantagem de manter todo mundo treinando e escolher o velejador na melhor fase próximo aos Jogos. Escolher a equipe com muita antecedência, por sua vez, permite concentrar os investimentos da confederação nos atletas que irão realmente representar o país. A eliminatória com antecedência pode aumentar a colaboração entre os velejadores na reta final da preparação, mas pode impedir o envio da melhor equipe no momento próximo das Olimpíadas.
Realmente não estou convencido qual seria o melhor sistema. Mas com certeza a seletiva 2008 formou uma equipe fantástica que representou muito bem o país.

Última Atualização ( 03 de October de 2008 )
 
< Anterior   Próximo >